Origem da Capoeira
Ao se pensar em outra
prática corporal genuinamente brasileira, a capoeira foi criada pelos escravos
como forma de luta para se conquistar a liberdade. Não obstante, hoje ela é
considerada um misto de dança, jogo, luta, arte e folclore (FALCÃO, 2003).
Capoeira é uma arte marcial
com quase 5 séculos, desenvolvida no Brasil, por escravos oriundos de África,
inicialmente como técnica de defesa.
Baseada em tradicionais
danças e rituais africanos, estes escravos praticavam Capoeira nos intervalos
do trabalho, treinando quer o corpo quer a mente para situações de combate.
Devido à proibição de qualquer tipo de arte marcial pelos seus donos, a
capoeira continuou, mas encoberta como uma "inocente" dança
recreativa.
Mais tarde, no século 17,
alguns escravos fugitivos formaram "quilombos" (territórios
escondidos e governados por escravos), na qual a arte capoeirista foi
aperfeiçoada.
Mas a Capoeira permanecia
proibida, mesmo após a abolição da escravatura em 1888. Contudo, continuava a
ser praticada pela população mais pobre, dando origem a perseguições e
condenações, numa tentativa, quase bem sucedida, de erradicar a Capoeira das
ruas brasileiras nos anos 20.
Apesar da proibição, Mestre
Bimba e Mestre Pastinha fundaram a primeira escola de Capoeira, em Salvador,
Bahia. Mestre Bimba criou um novo estilo, a "Capoeira Regional",
afastando-se da tradicional "Capoeira Angola", introduzindo novos
movimentos e técnicas.
Foi com a nova "Capoeira
Regional" que o Mestre Bimba conseguiu finalmente convencer as autoridades
do enorme valor cultural da Capoeira, terminando assim a proibição na década de
30.
A Capoeira é caracterizada
por uma roda, formada por praticantes da arte capoeirista. Na roda um Mestre
encarrega-se de tocar o berimbau, acompanhado por outros capoeiristas com
instrumentos específicos da Capoeira, como o pandeiro ou o atabaque. Os
restantes membros que irão praticar o seu "jogo" de Capoeira,
alternadamente, e dois a dois, num misto de dança, pontapés, saltos, etc.
Fonte:
arodacapoeira.no.sapo.pt
Citação: FALCÃO, José Luiz
C. Capoeira. In: KUNZ, Elenor.
Didática da Educação Física
1. 3. ed. Ijuí: Unijuí, 2003, p. 55-94.
Mestre Bimba
Aos 23 de Novembro de 1899,
início de um novo século, no bairro de Engenho Velho, freguesia de Brotas, em
Salvador, Bahia, nascia Manoel dos Reis Machado, o MESTRE BIMBA. Seu apelido
BIMBA, ele ganhou logo que nasceu, em virtude de uma aposta feita entre sua mãe
e a parteira que o “aparou”. Sua mãe, dona Maria Martinha do Bonfim dizia que
daria luz a uma menina. A parteira afirmava que seria homem. Apostaram. Perdeu
Dona Maria Martinha e o Manoel, recém nascido, ganhou o apelido que o
acompanharia para o resto de sua vida. BIMBA é, na Bahia, um nome popular do
órgão sexual masculino em crianças.
Seu pai, o velho Luiz
Cândido Machado, já era citado nas festas de largo como grande “batuqueiro”,
como campeão de “batuque”, “a luta braba, com quedas, com a qual o sujeito
jogava o outro no chão”.
Aos 12 anos de idade, BIMBA,
o caçula de dona Martinha, iniciou-se na capoeira, na estrada das boiadas, hoje
bairro da Liberdade, em Salvador. Seu Mestre foi o africano Bentinho, capitão
da cia. De navegação baiana. Naquele tempo a capoeira era ainda bastante
perseguida e BIMBA cantava: “naquele tempo capoeira era coisa para carroceiro,
trapicheiro, estivador e malandros; eu era estivador, mas fui um pouco de
tudo”.
A polícia perseguia um
capoeirista como se persegue um cão danado. Imagine só que um dos castigos que
davam aos capoeiristas que fossem preso brigando, era amarrar um dos punhos no
rabo do cavalo e outro em um cavalo paralelo. Os dois cavalos eram soltos e
postos a correr até o quartel. Comentavam até por brincadeira, que era melhor
brigar perto do quartel, pois ouve muitos casos de morte. O indivíduo não
aguentava ser arrastado em velocidade pelo chão e morria antes de chegar ao seu
destino: o quartel de polícia. MESTRE BIMBA praticava e ensinava a capoeira
tradicional, mas ele sentia que ela havia perdido eficiência como luta, pois os
mestres que a mantinham, se preocupavam muito com a manutenção de novos rituais
e tradições e esqueciam a sua essência como luta. Mestre Bimba vinha realizando
estudos com seus alunos, para a criação do que ele chamaria de “Luta Regional
Baiana”, quando chamou os mestres da época para uma reunião, todos recusaram
sua proposta, pois achavam que ele estava acabando com a tradição do que mais
tarde seria chamado de Capoeira Angola.
Aproveitando-se do
“batuque”, da “angola” e da sua experiência e habilidade como exímio lutador,
criou o que chamou de “capoeira regional”, ou “Luta Regional Baiana” assim
chamada para fugir da perseguição policial que existia sobre a Capoeira.
Mestre Pastinha
Foi defensor da Capoeira de
Angola. Foi uma das grandes celebridades da vida popular na Bahia. Vicente
Ferreira Pastinha nasceu em 5 de abril de 1889 em Salvador-Bahia. Mulato claro
de estatura mediana, magro, de temperamento gentil e acolhedor, bem-humorado,
reuniu ao seu redor um grande número de excelentes capoeiristas, nem tanto por
ser jogador excepcional, mas pela força de sua personalidade, seus dotes de
filosofo e poeta, seu amor e conhecimento dos fundamentos da capoeira angola.
Filho do espanhol José Señor Pastinha e de Dona Maria Eugênia Ferreira. Seu pai
era um comerciante, dono de um pequeno armazém no centro histórico de Salvador
e sua mãe, com a qual ele teve pouco contato, era uma negra natural de Santo
Amaro da Purificação e que vivia de vender acarajé e de lavar roupa para
famílias mais abastadas da capital baiana.
Diz-se que Pastinha aprendeu
capoeira ainda menino com um negro de Angola chamado Benedito, que presenciou
as surras que constantemente tomava de um menino mais velho. Mestre Benedito o
chamou e disse: "O tempo que você perde empinando raia, vem aqui no meu
cazua que vou lhe ensinar coisa de muito valia". Existem outras versões
que dizem que Pastinha aprendeu capoeira bem tarde, já homem maduro.
A princípio mestre Pastinha
ensinava capoeira para os colegas da Marinha, onde ingressou aos 12 anos.
Depois que saiu, aos 20 anos, abriu sua primeira escola de capoeira na sede de
uma oficina de ciclistas. Além de capoeirista, mestre Pastinha, era pintor;
chegando a dar aula de pintura de quadros a óleo. Em 1941 fundou o Centro
Esportivo de Capoeira Angola no casarão número 19 do Largo do Pelourinho. Esta
foi sua primeira academia-escola de capoeira.
Disciplina e organização
eram regras básicas na escola de Pastinha e seus alunos sempre usavam calças
pretas e camisas amarelas, cores do Ypiranga Futebol Clube, time do coração de
Pastinha. Para Pastinha, a capoeira "de Angola se diferencia da Capoeira
Regional por "não ter método", ser "sagrada" e
"maliciosa". Pastinha não aceitava a "mistura" feita por
mestre Bimba, que incorporou a capoeira movimentos de outras lutas.
Pastinha dedicou sua vida a
capoeira angola, tornando-se um dos estandartes da cultura afro-brasileira.
Faleceu em 14 de novembro de 1981, aos 92 anos de idade, cego havia 18,
abandonado pelos órgãos públicos e pela maioria de seus antigos alunos.
"Angola, Capoeira Mãe!
É mandinga de escravo em
ânsia de liberdade.
Seu princípio não tem
método,
Seu fim é inconcebível ao
mais sábio dos mestres."
Este conteúdo foi acessado
em 15/01/2010 do sítio: Associação Arte Regional de Capoeira - DF
Besouro
Quando Manoel Henrique
Pereira nasceu, não havia nem dez anos que o Brasil tinha sido o último país do
mundo a libertar seus escravos.
Naqueles tempos pós-abolição
nossos negros continuavam tão alijados da sociedade que muitos deles ainda se
questionavam se a liberdade tinha sido, de fato, um bom negócio. Afinal, antes
de 1888 eles não eram cidadãos, mas tinham comida e casa para morar. Após a
abolição, criou-se um imenso contingente de brasileiros livres, porém desempregados
e sem-teto. A maioria sem preparo para trabalhar em outros serviços além
daqueles mesmos que já realizavam na época da escravatura. E quase todos ainda
sem a plena consciência de sua cidadania. O resultado desse quadro,
principalmente nas regiões rurais, onde estavam os engenhos de açúcar e
plantações de café, foi o surgimento de um grande contingente de negros
libertos que continuavam, mesmo anos após a abolição, submetendo-se aos abusos
e desmandos perpetrados por fazendeiros e senhores de engenho.
Assim era sociedade rural
brasileira de 1897, ano em que Manoel Henrique Pereira, filho dos ex-escravos
João Grosso e Maria Haifa, nasceu na cidade de Santo Amaro da Purificação, no
Recôncavo Baiano.
Vinte anos depois, Manoel já
era muito mais conhecido na cidade como Besouro Mangangá - ou Besouro Cordão de
Ouro -, um jovem forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que
jogava capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como quase todos
os negros de Santo Amaro na época, vivia em função das fazendas da região,
trabalhando na roça de cana dos engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não
tinha medo dos patrões. E foram justamente os atritos com seus empregadores - e
posteriormente com a polícia - que deixaram Besouro conhecido e começaram a
escrever a sua imortalidade na cultura negra brasileira.
Há poucos registros oficiais
sobre sua trajetória, mas é de se supor que a postura pouco subserviente do
capoeirista tenha sido interpretada pelas autoridades da época como uma
verdadeira subversão. Não por acaso, constam nas histórias sobre ele episódios
de brigas grandiosas com a polícia, nas quais ele sempre se saía melhor, mesmo
quando enfrentava as balas de peito aberto. Relatos de fugas espetaculares,
muitas vezes inexplicáveis, deram origem a seu principal apelido: Mangangá é
uma denominação regional para um tipo de besouro que produz uma dolorosa
ferroada. O capoeirista era, portanto, "aquele que batia e depois
sumia". E sumia como? Voando, diziam as pessoas...
Histórias como essas,
verdadeiras ou não, foram aos poucos construindo a fama de Besouro. Que se
tornou um mito - e um símbolo da luta pelo reconhecimento da cultura negra no
Brasil - nos anos que se sucederam à sua morte.
Morte que ocorreu, também,
num episódio cercado de controvérsias. Sabe-se que ele foi esfaqueado, após uma
briga com empregados de uma fazenda. Registros policiais de Santo Amaro indicam
que ele foi vítima de uma emboscada preparada pelo filho de um fazendeiro, de
quem era desafeto. Já a lenda reza que Besouro só morreu porque foi atingido
por uma faca de ticum, madeira nobre e dura, tida no universo das religiões
afro-brasileiras como a única capaz de matar um homem de "corpo
fechado".
E Besouro, o mito, certamente
era um desses.
(Fonte:
www.besouroofilme.com.br)







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